Vitórias
Comemoro as vitórias de minha vida em silêncio, com punhos cerrados e sentimentos de vingança e de recompensa acelerando as batidas do coração. Cada conquista representa um escarro nos rostos de todos que não me deram importância, me subestimaram ou deixaram para trás. Essas celebrações mudas e solitárias sou eu afirmando a mim mesmo meu valor.
E por que se repetem dessa forma? Ora, por um lado as pessoas me subestimam e abandonam; por outro, estou convicto de que não me querem bem. Eis a razão. Não preciso de falsos sorrisos e felicitações maculadas, tampouco olhares invejosos apodrecendo minhas conquistas. Decerto isso não ocorre sempre – para certos indivíduos sou tão insignificante que não mereço nem seus pensamentos maliciosos – mas tampouco consigo acreditar em alguém satisfeito por ocasião de minhas realizações. A felicidade pela vitória alheia jamais me pareceu sincera, menos quando vinda de meus familiares próximos. Deles aceito sorrisos e abraços; acredito no amor sanguíneo.
Talvez essa posição explique o frio que sinto ao meu redor – ou o sábado à noite sozinho em casa. Se minha vitória é multissensorial, afirmo que, agora, seu gosto é amargo.